Rio de Janeiro com bebê: os primeiros dias da nossa viagem
Quando parti para o Rio de Janeiro, ainda não tinha caído a minha ficha sobre tudo o que estava acontecendo.
Eu tinha decidido viajar por 18 dias com a Clarinha.
Só nós duas.
Já tínhamos viajado sozinhas antes, inclusive para Florianópolis, mas dessa vez era diferente. Seriam muitos dias fora de casa, dois estados, avião, hospedagens diferentes, passeios, transfers, mala, rotina de bebê… enfim, uma viagem de verdade.
E confesso que o Rio de Janeiro também me deixava um pouco receosa.
A gente ouve tanta coisa sobre viajar com crianças para uma cidade grande que, antes de ir, eu também me perguntava como seria. Será que eu conseguiria me locomover tranquilamente? Será que encontraria lugares em que me sentiria confortável com a Clarinha?
Mas o Rio acabou sendo uma espécie de iniciação.
Eu ficaria na casa de uma amiga muito querida da época da faculdade, a tia Aline. Então, apesar de estar viajando sozinha com a Clarinha, eu tinha uma pessoa conhecida por perto. E isso, para mim, trouxe uma segurança enorme.
A ideia inicial nem era fazer uma super viagem turística pelo Rio.
Eu estava indo, principalmente, para visitar a Aline.
O turismo seria consequência.
O primeiro dia foi só para chegar
Depois de toda a correria para viajar com bebê, quando finalmente chegamos ao Rio, não inventamos moda.
Fomos para a casa da Aline e ficamos por lá.
Mais tarde, como ela mora perto da praia, saímos só para dar uma olhadinha no mar.
Foi coisa rápida.
Alguns minutinhos.
Mas foi o suficiente para respirar, olhar aquele marzão e pensar: chegamos.
Primeiro passeio: praia de Ipanema

No dia seguinte, fomos conhecer Ipanema.
Sem nada muito planejado. A gente simplesmente foi.
E acabou sendo um dos momentos mais gostosos desses primeiros dias.
Ficamos ali pela região do Arpoador, em uma área em que me senti bastante segura, inclusive pelo policiamento que tinha por perto. Também ficamos bem em frente ao Arp Bar, onde paramos para tomar um café.
Sim, gente.

Café na praia 😂
E foi uma ótima surpresa descobrir que o restaurante tem uma estrutura bem interessante para quem está com bebê, inclusive banheiro com trocador.
Quem é mãe sabe que um detalhe desses pode transformar completamente a experiência de um passeio.
Além disso, aquela parte da praia tem uma faixa de areia enorme e bastante sombra, o que foi ótimo para a Clarinha brincar.
Fomos em junho, então também não estava aquele calorão do Rio. Por isso, aproveitamos a praia de um jeito mais tranquilo e deixamos só os pezinhos dela entrarem na água. Sem contar que ali o mar é um pouco agitado para criança.
Mas foi dia de descoberta.
E teve uma cena que me tocou bastante.
A Clarinha correndo em direção ao mar.

Eu olhei para ela e, por alguns segundos, parecia estar vendo minha versão de criança.
Eu também era dessas.
Se me levassem para a praia, eu queria entrar na água. Não importava se estava frio, se o mar estava agitado ou se alguém estava dizendo que era hora de ir embora.
E isso ganhou um significado ainda maior porque grande parte das minhas férias de infância aconteceu no Rio de Janeiro. Minha tia morava lá e, por isso, aquela cidade sempre esteve de alguma forma presente nas minhas memórias.
Então viver aquilo novamente, agora com a minha filha, foi muito especial.
Eu estava vendo a infância dela começar a construir as próprias lembranças em um lugar que também fazia parte das minhas.
[Veja a Clarinha provando o famoso mate]
Um dia de pedalinho na Lagoa Rodrigo de Freitas

No dia seguinte, fomos para a Lagoa Rodrigo de Freitas andar de pedalinho.
E eu estava muito empolgada.
Na minha cabeça, a Clarinha enlouquecer com aquele passeio.
E ela realmente gostou.
Mas também decidiu que aquele era um excelente momento para tomar um tetê e tirar uma soneca😂
A maternidade é isso, né?
A gente cria toda uma expectativa para o passeio e o bebê tem outros planos.
Saímos do pedalinho, estendemos uma canga na sombra e deixei a Clarinha descansar ali mesmo.

Enquanto ela dormia, eu fiquei apreciando a vista e aproveitando aquele momento mais tranquilo.
E acho que comecei a entender uma coisa importante nessa viagem: não precisava fazer tudo exatamente como eu tinha imaginado.
Se ela precisava dormir, a gente parava.
Se precisava mamar, a gente parava.
Se o passeio precisasse durar menos do que eu tinha planejado, tudo bem também.
A viagem ia acontecendo no ritmo que funcionava para nós duas.
E teve jogo da Copa em Copacabana

Nesse mesmo dia, fomos assistir a um jogo da Copa no Bar do Aldo, em Copacabana.
E foi mais uma experiência que me mostrou que ter um bebê não significa necessariamente abrir mão de tudo o que você gosta de fazer.
O lugar é uma ótima opção para quem está com criança e conseguimos curtir o jogo tranquilamente.
[Saiba mais sobre o Bar do Aldo]
Quando o bebê muda o roteiro e tudo bem
No terceiro dia, tínhamos planejado sair para almoçar e depois seguir direto para uma festa junina na Urca.
Só que a Clarinha resolveu que queria dormir.
E, sinceramente?
Não teve discussão!
Voltamos para casa, ela descansou e depois, seguimos para a festa.
E ainda bem que fizemos isso.

A festa junina acontecia bem aos pés do Pão de Açúcar e estava linda.
Foi um daqueles passeios que ficam ainda mais especiais por causa do cenário.
E eu gostei muito de perceber que não precisava escolher entre viajar com a Clarinha e continuar vivendo momentos que eu também queria viver.
A gente só precisava encontrar um jeito de fazer isso funcionar para nós duas.
Um aniversário e uma conversa que guardei comigo
No quarto dia, fomos ao aniversário de uma amiga da Aline.
A festa aconteceu na casa do nosso amigo de faculdade, que a Clarinha ainda não conhecia.

E foi muito gostoso poder apresentar minha filha para pessoas que fizeram parte da minha vida antes mesmo de ela existir.
Mas aquele dia ficou marcado por outro motivo também.
Durante a festa, uma mulher que eu nem conhecia me falou uma coisa sobre maternidade que mexeu muito comigo.
Sabe quando alguém fala uma frase aparentemente simples, mas ela encontra exatamente um lugar dentro da gente que se encaixa direitinho?
Foi assim.
A conversa ficou na minha cabeça depois daquele dia e eu cheguei a compartilhar esse momento aqui.
Acho curioso pensar nisso agora.
Em uma viagem cheia de lugares novos, passeios e experiências, uma das coisas que mais ficou comigo foi justamente uma conversa que aconteceu de forma completamente inesperada.
Talvez seja por isso que eu goste tanto de viajar.
A gente sai de casa achando que vai conhecer lugares.
E acaba conhecendo pessoas, histórias e até versões diferentes de nós mesmos.
E como fizemos os deslocamentos com um bebê?
Essa é uma pergunta que eu provavelmente faria se estivesse lendo um relato como esse antes de viajar.
Todos os trajetos que fizemos no Rio foram de Uber.
Não usamos transporte público nessa etapa da viagem e, para a nossa rotina, o Uber funcionou muito bem.
Como estávamos sempre acompanhadas da tia Aline, também acabava sendo uma opção prática para sair de casa, colocar a Clarinha no carro e seguir para o próximo passeio.
Aliás, depois desses dias no Rio, posso dizer uma coisa com tranquilidade: sim, o Rio de Janeiro pode ser um destino para viajar com crianças.
É claro que existem cuidados que precisamos ter em uma cidade grande, como em qualquer lugar, e cada família precisa avaliar o que faz sentido para sua realidade.
Mas, escolhendo bem os lugares, os horários e a forma de se locomover, conseguimos aproveitar bastante.
E a minha experiência nesses dias foi muito positiva.
E entre um passeio e outro, a mala também precisava sobreviver
Como ainda tínhamos muitos dias de viagem pela frente, uma das coisas que mais ajudou foi poder lavar nossas roupas na casa da Aline.
Eu tinha levado uma única mala com as minhas coisas e as da Clarinha, então precisava pensar muito bem no que levar.
Poder lavar algumas peças antes de seguirmos para a Bahia fez toda a diferença.
E essa é uma daquelas coisas que a gente só percebe quando viaja com bebê: a viagem linda das fotos também envolve roupa suja, fralda, organização de mala e aquela logística diária para descobrir o que ainda está limpo.
Hora de fechar a mala novamente

Foram cinco dias no Rio de Janeiro.
Cinco dias que começaram de um jeito muito simples e terminaram com a mala novamente aberta em cima da cama.
No dia 22, era hora de partir para Porto Seguro.
E foi aí que eu senti aquele friozinho na barriga.
O Rio tinha sido nossa primeira experiência. Eu tinha a Aline por perto, uma casa conhecida e uma estrutura que me dava segurança.
Agora seria diferente.
Novas hospedagens, novos deslocamentos e muitos dias de viagem pela frente.
Fechei a mala, conferi as coisas da Clarinha mais uma vez e fomos.
Porto Seguro nos esperava.
E eu ainda não fazia ideia de tudo o que a Bahia reservava para nós.
BenzaDicas do Rio com bebê
Depois desses primeiros dias, algumas coisas ficaram muito claras para mim:
- Não tente fazer tudo em um único dia. Deixe espaço para sonecas, mamadas e mudanças de planos.
- Pesquise a estrutura dos lugares antes de sair, principalmente banheiro e trocador.
- Prefira lugares com sombra quando estiver com bebê na praia.
- Não tenha medo de adaptar o roteiro. A festa junina só aconteceu porque respeitamos o sono da Clarinha.
- Escolha uma forma de transporte que deixe vocês confortáveis. Para nós, o Uber funcionou muito bem.
- E, se puder lavar roupa durante a viagem, aproveite! Uma mala com coisas de mãe e bebê agradece.
📍 Diário de viagem | Capítulo 2
De 17 a 22, o Rio de Janeiro foi nosso começo. Não foi uma viagem turística tradicional. Foi encontro, memória, praia, amigos, descobertas e, principalmente, o primeiro capítulo de uma aventura que ainda estava só começando.
No próximo capítulo: Porto Seguro.
